“Não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir” (Mateus 6, 25). É quase impossível viver essa vida sem nos preocuparmos com o que vamos comer, beber nem vestir. É mais difícil ainda quando temos sobre nossa custódia, sobre nossa responsabilidade, outros que também precisam comer, vestir-se ou beber. É difícil não viver preocupado e ocupado em garantir o sustento. A Palavra de Deus vem, hoje, ao nosso encontro nos trazer o alento necessário para vivermos um dia de cada vez. Quem de nós não gostaria de estar garantido até o último dia da vida? Ter uma poupança, um rendimento somente para viver, gozar e aproveitar a vida sem se preocupar com nada? A verdade é que não precisamos ter preocupações vãs ou exageradas com nada, porque elas não resolvem os nossos problemas; pelo contrário, gastam nossas energias, nossas forças, inibem nossa criatividade para que possamos buscar o pão onde ele se encontra, para que possamos ter forças necessárias para viver um dia de cada vez. Não há nada errado em ser aquela pessoa previdente, disciplinada, sobretudo aquela pessoa que planeja a vida. O Evangelho não pode ser desculpa para sermos pessoas néscias, que esbanjam e gastam tudo, não calculam nem planejam a vida, e depois dizem: “Deus vai cuidar! O Deus que dá hoje, vai dar amanhã também!”. Dessa maneira, estamos sendo irresponsáveis; não podemos colocar Deus para cobrir nossas irresponsabilidades. Precisamos ser aquelas pessoas que sabem cuidar da vida a cada dia, que tem visão; ao mesmo tempo, não podemos ser pessoas totalmente tensas, preocupadas, que não sabem viver ou saborear a vida a cada dia, porque vem sempre aquela pergunta: “E amanhã? E depois?”. A Palavra de Deus é um convite para termos confiança no Seu amor e misericórdia, que cuida de nós como cuida dos pássaros do céu. É, na verdade, um enxerto para que não prendamos nosso coração aos bens deste mundo, para que não sejamos escravos do dinheiro, da posse e dos prazeres, mas para que sejamos humildes, modestos e saibamos viver um dia de cada vez. Tudo aquilo que fizermos com responsabilidade e honestidade, a bênção do Senhor estará conosco, encaminhando-nos em cada uma de nossas situações. E se em algum momento de nossa vida a situação se apertar ou as coisas não andarem bem, não entreguemos nossa alma ao desespero nem à desconfiança, porque Deus nos dará inteligência, sabedoria e humildade necessárias para lidar com cada tempo!
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Literatura | Gospel | Pequena Reflexão | Mateus 6,25.
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Literatura | Gospel | Pequena Reflexão | Mateus 6,3,4.
“Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta” (Mateus 6,3-4). As boas obras devem ser praticadas em segredo, no íntimo do coração, visto que vivemos na época da publicidade, da propaganda, onde tudo aquilo que as pessoas fazem têm de ser mostrado num cartaz e ser proclamado em alto e bom tom. As boas obras não precisam de exposição, pois aqueles que a recebem sentem o toque da generosidade, e esta, quando é verdadeira, é também gratuita. Às vezes, uma pessoa, banco ou uma instituição, propõe-se a ajudar pessoas, mas quer que se faça uma placa dizendo que é aquele banco ou instituição que está ajudando. E aí, coloca-se uma placa: “Quem mantém esse asilo é a instituição tal”. A recompensa dela já está ali na publicidade. Sabemos que tudo o que fazemos é feito diante do Pai, diante do nosso Deus, que conhece o nosso coração. Precisamos caprichar nas obras de caridade e misericórdia, praticar todas as obras que a Igreja nos propõe. Precisamos praticar todas as obras com esmero e esforço, com amor e dedicação; dar pão a quem tem fome, abrigo a quem não tem onde ficar, visita aos doentes que estão nos hospitais, atenção a quem está preso, dar enterro a quem precisa ser enterrado, ajuda a quem está sofrendo. Faça tudo isso, mas sem precisar de propaganda e publicidade. É muito ruim conversar com pessoas que gostam de contar vantagens, porque tudo o que faz quer propagar para todos saberem. Uma coisa é darmos testemunho, dizer o quanto foi bom nosso esforço; outra coisa é quando alguém quer chamar atenção sobre si. Ninguém aguenta certas propagandas que têm por aí. Certas coisas eu deixei até de comer ou de ter, porque a propaganda era demais! Não precisamos fazer publicidade de nada que fazemos para Deus, nem da esmola nem da oração, muito menos do jejum ou das obras de penitências que praticamos. Quanto mais afastamos o interior do nosso coração para Deus, mais frutuosa é a obra; quanto mais generosidade aplicamos naquilo que fazemos, menos precisamos propagar, porque fazemos com amor, dedicação, e o bem nos faz bem! Mesmo que o outro não reconheça, mesmo que ao fazer o bem o outro retribua com o mal, o importante é saber que precisamos ser bondosos e melhores.
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